Representantes do setor moveleiro, através da Abimóvel – Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário e diversas entidades nacionais, reuniram-se com a equipe do Ministério da Economia, sob a coordenação do secretário Carlos da Costa, para um alinhamento técnico em relação à questão do desabastecimento e aumento de preços no fornecimento dos insumos e matérias-primas.
A reunião, realizada no dia 23 de março, contou ainda com a presença, de maneira remota, de representantes nacionais da indústria, que colaboraram na apuração de informações e dados de mercado, compartilhando de forma clara e coerente as dificuldades e gargalos pelos quais a indústria vem passando desde o último ano.
O Sindusmobil, por diversas vezes desde o ano passado, posicionou-se oficialmente perante a Abimóvel, levantando o tema em questão, para que entidade que oficialmente representa o setor moveleiro levasse as dificuldades enfrentadas pela indústria ao governo federal. A entidade nacional informa que uma segunda reunião com a equipe do Ministério da Economia deverá ocorrer em breve com atualizações do Governo Federal sobre a questão.

Entendendo a situação

A interrupção do comércio físico e da produção industrial, seguida por uma explosão surpreendente do consumo de móveis e colchões durante o ano passado, pegou as empresas com baixos estoques. Levando, então, a um colapso na cadeia de suprimento, que não conseguiu dar conta da demanda urgente e crescente que se estabelecia. Deixando, assim, a indústria sem material para trabalhar e gerando longas filas de espera no varejo.
Pesquisa da FGV - Fundação Getúlio Vargas revelou que em outubro do ano passado a falta de insumos atingiu os maiores níveis em 19 anos, o que se confirma ao se ouvir os industriais. De acordo com a CNI - Confederação Nacional da Indústria, 68% das empresas de todos os setores pesquisados pela instituição relataram problemas para encontrar matérias-primas dentro do mercado doméstico no último semestre. Daqueles que importam, a pesquisa mostrou que 56% deles também sofreram com o mesmo impasse.
Com uma expectativa geral de que a situação se estabilizasse no primeiro trimestre de 2021, infelizmente o setor ainda não observa sinais de melhora. O problema continua, entre outras questões, em virtude da disrupção dos processos produtivos, do desequilíbrio cambial e da alta muito significativa no valor do frete internacional em decorrência da pandemia que continua exigindo medidas restritivas e abalando economias ao redor do mundo.

Impacto no setor moveleiro

Entre as indústrias de móveis e colchões, os problemas mais significativos estão no fornecimento de painéis de madeira, como MDF, bem como de aço, ferragens e espumas, essenciais para a produção. Dessa forma, muitas empresas já reduziram o ritmo de atividade por falta de matéria-prima. E quem consegue produzir não pode distribuir o produto por falta de embalagens de papelão, plástico e vidros. A escassez, somada ao câmbio desvalorizado, portanto, resulta em alta de preços, que chegam a ultrapassar 170% em alguns segmentos.
Todo esse descompasso não só reprime, como também onera a produção. Com os reajustes imediatos na porta da fábrica esmagando as margens das indústrias, que não conseguem repassar o valor para o varejo. Pois, de que maneira repassar esses reajustes enquanto os fabricantes ainda correm contra o tempo para atender aos pedidos represados do ano passado? Mais do que nunca, é preciso pensar e agir como uma cadeia.

Atuação da Abimóbvel

A Abimóvel permanece atuando na busca por medidas e acordos que visem frear os aumentos abusivos das matérias-primas e insumos. Não por menos, a questão está na mesa das discussões com vários atores envolvidos, onde busca-se uma alternativa de solução junto ao governo e demais entidades de classe, cerca de 100 setores, que também sofrem com o problema.
Aliás, é importante frisar que o grau de dificuldade em relação ao assunto é bastante alto, considerando que este não é um problema exclusivo da cadeia madeira e móveis. Com todas as cadeias produtivas, então, enfrentando crise no abastecimento.
A Abimóvel continua trabalhando em contato permanente com o Governo Federal e o Congresso Nacional, conversando sobre o acirramento da pandemia nos polos moveleiros, monitorando dados do setor e da economia, bem como atuando na construção de novas medidas que beneficiem à produção de móveis no país. Outro assunto determinante é a necessidade de reformas urgentes para o avanço do Brasil. Afinal, não há mágica a se fazer, as reformas precisam avançar.

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